ZÉLÚ
Quando sua mãe retirante de Itapipoca-CE veio para Brasília em busca de uma vida nova no Centro-Oeste do Brasil, Zélú se tornou a primeira pessoa a nascer longe de sua família em Fortaleza-CE. Foi durante a fase escolar que encontrou na fotografia uma forma de expressar seus medos e sonhos. Estudante de artes visuais na Universidade de Brasília (UnB), atua com pesquisas artísticas que hoje envolvem a fotografia, pintura e performance com registros do sentir e conexões com a família no Ceará. A artista trans não-binaria morou na Serrinha do Paranoá desde a infãncia e trabalha com resquícios, cadernos, rastros e experiências como estudante que a transformam até hoje. Unindo poesia e fotografia, integra também a rede de colaboradores da Mídia Ninja, atuando no registro de manifestações sociais, como a Ninja COP 30, em Belém (PA) e Levante Mulheres Vivas em Fortaleza-CE entre outras. Publicou o fotolivro escola em casa (editoria mercúrio) uma memória coletiva da educação pública brasileira. Participou de mostras e festivais como o Festival Sesc de Inverno (Petrópolis- RJ), o Pequeno Encontro da Fotografia (Recife-PE), o Maré Foto Festival (Natal-RN) e o Solar Foto Festival (Fortaleza-CE). Tem textos publicados na Revista Zum, na Revista Darcy e na Revista ArteVersa.
Moro na Serrinha do Paranoá desde a infância, caminhando por suas estradas de chão. Uma criança que pisava na cobra e sua mãe morria de medo, já até joguei manga numa cascavél pra ela comer. Lindo é banhar em suas águas frescas e ouvir o som dos tambores de Vó Cambina contando as historias do ancião cerrado que deságua no Lago Paranoá. Quando adulta, percebi que as cobras que sumiram, passaram a ser outra especie de cobra: a especulação imobiliária, que destrói não apenas seus 9 córregos e mais de 100 nascentes sem falar nos olhos d’água que surgem em determinadas épocas do ano às margens das ruas e casas, essa cobra pertuba também aqueles que vieram do Piauí para ocupar a região e vivem em harmonia com ela. Ainda assim, são os de terno que tendem a acabar com tudo. Descer da Torre de TV flor do cerrado de bicicleta e dar um tibum na cachoeira do Urubu, depois ir encontrar os amigos na Pedra dos amigos, é uma das experiencias mais incriveis da Serrinha. Ela é um pulmão importante e sensível, que alguns insistem em cortar sua respiração com um corte transversal para a construção de uma ponte e de um grande condomínio de casas e prédios. Um local que originalmente dizem, que foi destinado pelo fundador da cidade a se tornar um grande parque verde. O fogo é ateado para abrir caminho para o trator passar, retirar eucalipto e vendê-lo e tantas outras coisas maldosas. São os corregós do Urubu, Tamanduá, Jerivá, e Aspalha que resistem e iluminam essa cidade fazendo da Serrinha um grande ser vivo. Hoje essa area verde está doente e precisa ser curada e cuidada, nada é plantado, nem mesmo os passarinhos dão conta mais da infecção de uma guarita que foi instalada, um condominio privado construido, o fogo ateado anualmente, marcando a divisão de terrenos para a construção de casas e predios, uma doença que polui nosso Lago Paranoá e nossa Cidade.
Estas fotografias foram feitas e um incêndio que durou três dias seguidos, e compõem uma série produzida ao longo dos anos, com o objetivo de apresentar minha perspectiva enquanto moradora da Serrinha e sensibilizar a poupualçao do DF para cuiradem dela, gostaria que soubessem que ela está doente, muito doente e precisa ser cuidada.

Audiodescrição das Obras.
01 – Queimaram a Flor do Cerrado no alto de uma Serrinha

📍Localização – Serrinha do Paranoá – APA do Planalto Central, Corrégo do Jerivá e Urubu.
02 – Se olhar bem, a Canela de Ema te conta as histórias.

📍Localização – Serrinha do Paranoá – APA do Planalto Central, Corrégo do Jerivá e Urubu.
03 – Em qual serrinha vamos caminhar no futuro?

📍Localização – Serrinha do Paranoá – APA do Planalto Central, Corrégo do Jerivá e Urubu.
04 – Todo dia é dia de encontrar os amigos na Pedra dos amigos.

📍Localização – Serrinha do Paranoá – APA do Planalto Central, Corrégo do Jerivá e Urubu.

